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Carbono no solo: Brasil tem 20 projetos registrados na Verra e vê oportunidade para agricultura regenerativa

O Brasil reúne escala agrícola e áreas com potencial de recuperação para ampliar os projetos de carbono no solo. Segundo estudo do RaboResearch divulgado em 24 de setembro, o registro da certificadora Verra continha 20 projetos brasileiros de manejo agrícola e do solo, em diferentes fases de desenvolvimento. Apenas um havia chegado ao registro e à emissão de créditos até a data consultada pela pesquisa.

O levantamento estima que os projetos brasileiros em desenvolvimento possam gerar mais de 10 milhões de créditos de carbono por ano. Trata-se de potencial projetado, sujeito à execução das iniciativas e à comprovação dos resultados, não de créditos já emitidos.

A oportunidade está ligada à adoção de práticas de agricultura regenerativa capazes de elevar os estoques de carbono no solo. O estudo cita plantio direto, culturas de cobertura, rotação de culturas, integração lavoura-pecuária e manejo de pastagens entre as possibilidades. Conforme o RaboResearch, aproximadamente 28 milhões dos 177 milhões de hectares de pastagens brasileiras apresentam algum nível de degradação e poderiam se beneficiar de ações de recuperação.

Como o produtor pode participar de um projeto de carbono no solo

A entrada em um projeto começa pela avaliação da propriedade. São analisados o histórico de uso da terra, as práticas já adotadas, a disponibilidade de informações e o potencial de mudança no manejo. Em seguida, é estabelecida uma linha de base, que registra as condições anteriores à implementação das novas práticas.

Durante o projeto, o produtor precisa manter o manejo acordado e fornecer dados para o acompanhamento. Registros das operações, imagens de satélite, análises de solo e visitas técnicas podem integrar a medição. Os resultados são submetidos à validação e à verificação independente antes da emissão dos créditos.

A eventual remuneração depende da quantidade de créditos verificados e comercializados e das condições previstas no contrato. O processo pode levar anos. Por isso, o estudo recomenda que os benefícios econômicos sejam avaliados no longo prazo, juntamente com os custos de implantação e as obrigações assumidas pelo produtor.

Projetos avançam, mas mercado brasileiro ainda está em formação

A metodologia VM0042, da Verra, é uma das referências usadas para quantificar resultados de projetos de manejo agrícola no mercado voluntário. De acordo com o recorte do registro público consultado pelo RaboResearch em 1º de setembro de 2026, os 20 projetos localizados no Brasil representavam cerca de 8% das 264 iniciativas desse tipo identificadas no mundo.

O relatório apresenta exemplos em diferentes estágios. O ReTerra, desenvolvido em parceria pelo Rabobank Brasil, pela Ruuts by Ovis 21 e pelo Anthesis Group, pretende levar práticas regenerativas a pelo menos 350 mil hectares nos próximos cinco anos. Já a parceria entre AMAGGI e NaturAll Carbon prevê iniciar um projeto em aproximadamente 25 mil hectares em Rondônia. Essas áreas são metas ou escopos anunciados pelas iniciativas, e não créditos emitidos.

Como referência regional de emissão efetiva, o estudo cita o programa SARA, que atua na Argentina, no Chile e no Paraguai. A iniciativa emitiu 210 mil créditos em fevereiro de 2026, referentes ao período de monitoramento de 2019 a 2023.

Medição e regras serão decisivas para ampliar o mercado

Para que o carbono no solo se torne uma fonte consistente de receita, os projetos terão de demonstrar que os ganhos são mensuráveis, resultam das mudanças de manejo e podem ser mantidos ao longo do tempo. Também pesam a variação dos preços pagos pelos créditos, a demanda dos compradores e o custo de monitoramento.

No Brasil, a Lei nº 15.042/2024 instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Parte das regras necessárias à sua operação e às transferências internacionais de resultados de mitigação ainda estava em desenvolvimento em 2026. A existência do mercado regulado, portanto, não significa reconhecimento automático dos créditos gerados em uma propriedade rural. planalto.gov.br

Para o produtor, a perspectiva apontada pelo RaboResearch é dupla: melhorar as condições produtivas do solo e, quando houver resultados comprovados e compradores, obter uma receita adicional. A escala desse mercado dependerá da qualidade dos projetos, da adesão no campo e da segurança das regras para sua comercialização.

Fonte: Portal do Agronegócio