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Cuidados que o produtor deve ter para evitar queda na produção de leite da propriedade

Atualmente os especialistas confirmam que a produção de leite é um pilar do agronegócio brasileiro. O problema é encontrar o manejo correto para garantir que essa produção se mantenha estável e eficiente, o tempo inteiro. De acordo com Stephen Janzen, nutricionista animal da Quimtia Brasil, a estratégia dos produtores deve ser conduzida por algumas observações: é importante saber identificar os primeiros sinais de problemas para então adotar medidas rápidas. Isso pode ser decisivo para garantir a saúde financeira e operacional das propriedades.

“A investigação deve começar com os aspectos mais propensos a mudanças que podem influenciar significativamente a produtividade, como temperatura, alimentação, composição do lote ou rotina de manejo”, afirma. Segundo ele, caso não haja alterações nesses fatores, uma comparação com outras fazendas pode ajudar, desde que sejam considerados elementos como genética, dieta, instalações e condições de manejo.

No entanto, Janzen aponta que o índice de produtividade não é o único indicador a acompanhar. O comportamento das vacas pode revelar desconforto ou condições inadequadas antes que o produtor perceba a causa da queda no volume de leite. Para o especialista, vacas que permanecem muito tempo em pé, sem comer nem beber, ou que não encontram espaço limpo e confortável para deitar merecem atenção. “O descanso e a ruminação também são sinais importantes. Observar quantos animais estão deitados ruminando pode ajudar a perceber se há algo afetando o bem-estar ou o equilíbrio da dieta”, diz.

Segundo Janzen, a produtividade depende de três fatores relacionados: manejo, nutrição e genética. O peso de cada um varia conforme a situação de cada propriedade. Além disso, a qualidade e o armazenamento dos alimentos também precisam ser verificados. “Silagem mal conservada, ração exposta à umidade ou ingredientes armazenados de forma inadequada podem comprometer a dieta. Mesmo um alimento de boa qualidade pode se deteriorar se ficar exposto por tempo excessivo ou for guardado em condições impróprias”, afirma.

Ao notar uma queda ou perceber que o rebanho não está alcançando o potencial esperado, a recomendação continua sendo procurar uma avaliação técnica. A análise, segundo Stephen, pode ajudar a distinguir entre causas relacionadas à genética, ao manejo, à nutrição ou à maneira como os alimentos são armazenados e fornecidos. “Nem toda queda exige uma ração mais cara”, observa o especialista. “Em alguns casos, a resposta está apenas em corrigir o manejo, uma mudança que pode demandar mais tempo ou mão de obra, sem necessariamente elevar o custo da alimentação”, pontua.

Em casos em que a nutrição é parte da causa da queda da produção de leite, Stephen acredita que alternativas como o uso de enzimas específicas podem ajudar a melhorar o aproveitamento da dieta. “A combinação das enzimas atua sobre componentes dos alimentos, como proteína, amido e fibras, facilitando sua degradação e o acesso dos microrganismos ruminais aos nutrientes”, comenta.

Ainda assim, o especialista observa que, por mais que a adição de enzimas deva ser considerada dentro de um plano nutricional, ela não substitui o diagnóstico da propriedade nem corrige, por si só, problemas de manejo, armazenamento, saúde ou genética. “A decisão de utilizá-las deve levar em conta a dieta e as condições específicas do rebanho, com acompanhamento técnico”, conclui Stephen Janzen.

Fonte: Nordeste Rural