Os preços do açúcar sobem nesta terça-feira (13) nas bolsas internacionais e operam próximos das máximas registradas na semana passada. O mercado encontra sustentação nas compras de fundos de investimento, nas preocupações com a oferta global e nos riscos climáticos associados ao fortalecimento do El Niño.
O açúcar bruto para março, negociado na bolsa de Nova Iorque, sobe com avanço de 25 pontos, a 21,10 centavos por libra-peso. Enquanto o açúcar branco para dezembro, negociado em Londres , registra alta de 170 pontos, a US$ 562,40 por tonelada.
Na última quarta-feira (7), o açúcar negociado em Nova Iorque alcançou a maior cotação em 19 meses, enquanto o contrato em Londres atingiu o nível mais alto em 22 meses. Na ocasião, as chuvas persistentes na região Centro-Sul do Brasil atrasaram a colheita da cana-de-açúcar e interromperam a moagem em usinas, restringindo a oferta no curto prazo.
Fundos ampliam apostas na alta
A movimentação dos fundos de investimento também contribui para sustentar as cotações. Segundo o relatório semanal Commitment of Traders, divulgado na última sexta-feira, os investidores ampliaram em 60.442 contratos suas posições compradas em açúcar em Nova Iorque na semana encerrada em 6 de outubro.
Com isso, a posição comprada líquida chegou a 212.559 contratos, o maior volume em mais de três anos. O movimento indica uma aposta mais expressiva dos fundos na valorização da commodity.
Déficit global mantém mercado em alerta
As perspectivas para a oferta mundial também estão no radar dos investidores. Em setembro, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou um déficit global de 200 mil toneladas na safra 2026/27, após estimar um superávit de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.
Na Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar, a Thai Sugar Millers Corp. estimou que a produção poderá cair 17% na temporada 2026/27, para 10 milhões de toneladas. Uma redução dessa magnitude pode contribuir para limitar a disponibilidade do produto no mercado internacional.
El Niño aumenta os riscos para a produção
As condições climáticas ganharam ainda mais relevância após a Agência Meteorológica do Japão informar, na última sexta-feira, que a temperatura da superfície do Pacífico tropical ficou cerca de 4°C acima da média em setembro, o maior nível registrado desde o início da série histórica, em 1949.
A agência prevê 100% de probabilidade de que o El Niño persista durante o inverno do Hemisfério Norte e continue atuando até o primeiro trimestre de 2027. O fenômeno pode alterar os padrões de chuva e temperatura em importantes regiões produtoras, com possíveis impactos sobre as safras de Brasil, Índia e Tailândia.
O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos também alertou para a possibilidade de o episódio estar entre os mais intensos em mais de 75 anos. As mudanças nos padrões climáticos podem favorecer períodos de seca, chuvas excessivas e oscilações de temperatura, aumentando a incerteza sobre a produção agrícola e a oferta de açúcar nos próximos meses.