Este é um dos assuntos discutidos no Congresso Brasileiro do Algodão que acontece de hoje até o dia 24, próxima quinta feira, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Os técnicos e produtores participantes vão discutir como utilizar produtos à base de extrato de algas para regenerar a atividade biológica do solo e com isso aumentar a rentabilidade do produtor de algodão. O protocolo Regenesis é uma estratégia de manejo desenvolvida para recuperar o solo, ativar a planta, reduzir os efeitos do estresse climático e ampliar o potencial produtivo das culturas.
O protocolo reúne tecnologias naturais para recuperar o condicionamento dos organismos vivos da terra antes de receber a semente, o que estimula o desenvolvimento radicular, equilíbrio fisiológico e suporte nutricional ao longo do ciclo produtivo. São utilizados produtos à base de biofertilizantes, ácido húmico e extrato de algas.
O biofertilizante líquido é produzido com o aproveitamento de resíduos da produção de tilápias, o que transforma um passivo ambiental em matéria-prima de alta qualidade para a agricultura. Segundo o engenheiro agrônomo e diretor comercial da Ambios, Sandro Fernandes, a tecnologia foi criada para atender uma necessidade identificada dentro das próprias operações agrícolas da companhia.
“Todo o desenvolvimento surgiu a partir da busca por soluções que melhorem a performance das lavouras. O protocolo foi construído dentro do campo, validado nas áreas produtivas e estruturado para entregar aquilo que realmente importa para o produtor, que é retorno financeiro aliado à produtividade. Também representa o que acreditamos na empresa desde o início: orgânico sempre, químico quando for necessário”, afirma.
De acordo com Fernandes, uma das principais vantagens do manejo é preparar as plantas para enfrentar períodos de adversidade climática. O fortalecimento das raízes permite maior exploração do perfil do solo, favorecendo a absorção de água e nutrientes mesmo em condições menos favoráveis. “Quanto mais desenvolvida a raiz, maior a capacidade da planta de buscar água e nutrientes em profundidade. Isso aumenta a tolerância aos estresses e ajuda a manter o desempenho produtivo da cultura. Estamos em um ano desafiador por causa dos impactos do El Niño e o produtor sabe que precisamos buscar novas alternativas para garantir a colheita”, destaca.
Os resultados obtidos em campo são bastante positivos. Em áreas de soja conduzidas na safra 2025/26, os trabalhos registraram incrementos de, em média, cinco sacas por hectare em comparação aos manejos convencionais. Também foram observados ganhos de produtividade em culturas como cana-de-açúcar e algodão, além de redução na incidência de doenças e melhoria da sanidade das plantas. “O investimento aproximado é de 1,5 saca por hectare, para colher cerca de 5 sacas a mais. Sem falar que a regeneração e fortalecimento biológico do solo tem impacto por várias safras e pode aumentar o custo benefício para o produtor que optou por utilizar os bioinsumos”, afirma o diretor comercial.
O Regenesis pode substituir cerca de 15% do que é gasto com outros insumos tradicionais utilizados na agricultura. Ele age permitindo que a planta consiga aproveitar melhor o que o solo já tem, e os fertilizantes utilizados naquela safra, ao invés de exigir cada dia mais fertilizantes sem os resultados esperados.