O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reuniu nesta quinta-feira (6), na Rio Innovation Week, representantes do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), da Marinha do Brasil e da Petrobras para debater iniciativas de prevenção e resposta aos efeitos do El Niño. O painel tratou da articulação entre ciência, financiamento, monitoramento ambiental e capacidade operacional diante da possibilidade de um evento forte ou muito forte em 2026/2027.O debate foi moderado pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e concentrou iniciativas voltadas à antecipação de riscos, à proteção de pessoas e infraestruturas e à aceleração da resposta em emergências.No painel, foi ressaltada a necessidade de o país avançar de uma atuação reativa para uma estratégia permanente de prevenção, preparação e pronta resposta. Entre os efeitos citados para o ciclo 2026/2027 estão chuvas intensas, enchentes e deslizamentos no Sul; secas severas e incêndios no Norte e no Nordeste; além de altas temperaturas, chuvas irregulares, insegurança hídrica e energética e impactos sobre a agricultura em diferentes áreas do Brasil.A chefe do Departamento de Enfrentamento de Eventos Extremos do BNDES, Bruna Pretti Casotti, afirmou que a experiência no Rio Grande do Sul levou o banco a manter instrumentos de prevenção e resposta prontos para uso. Segundo o BNDES, a resposta às enchentes de 2024 mobilizou cerca de R$ 30 bilhões, com R$ 21 bilhões em novos créditos, R$ 4 bilhões em operações garantidas e R$ 5 bilhões em parcelas suspensas. Ao todo, foram cerca de 8 mil operações, com 5 mil clientes e 74 mil subcréditos.Em julho de 2026, o banco firmou acordo de cooperação técnica com a Sedec, o Cemaden e a Marinha do Brasil para integrar dados, conhecimento, financiamento e capacidade operacional na preparação e resposta a desastres.O Cemaden apresentou o projeto Cigarra, voltado ao monitoramento ambiental com autonomia energética de até cinco anos e menor custo de instalação e manutenção. A Marinha detalhou a Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais (Frida), estrutura preparada para atuar nas primeiras 72 horas após ocorrências. A Petrobras informou que mantém estudos sobre sistemas hídricos sujeitos a inundações extremas e redes de monitoramento oceanográfico e meteorológico para apoiar a segurança operacional.As apresentações convergiram para uma estratégia baseada em integração institucional, tecnologia de monitoramento e instrumentos de resposta rápida diante dos efeitos do El Niño e de outros eventos climáticos extremos.